domingo, 28 de junho de 2015

SÓCRATES; O MAIOR

 

SÓCRATES (470-399 a.c.)

  • Nasceu em Atenas, Grécia;
  • Abandonou a preocupação com o mundo físico (natureza) e passou a preocupar-se com questões metafísicas, ou seja, que vão além do mundo físico, como bom, belo, justiça, virtude, coragem, etc.;
  • Nada escreveu e, de seus ensinamentos, temos conhecimento através dos diálogos de Platão, principalmente;
  • Foi mestre de Platão;
  • Seus métodos de ensino consistiam na ironia (pergunta) e maiêutica (dar a luz as ideias);
  • Conversava com as pessoas em praça pública e nada cobrava para ensinar; 
  • Incomodou muita gente em sua época, principalmente os sofistas, pois estes acreditavam ser impossível conhecer a verdade e cobravam muito caro para ensinar; 
  • Foi considerado pelo Oráculo de Delfos o homem mais sábio de Atenas;
  • Apesar de ter sido considerado o homem mais sábio, humildemente dizia: “só sei que nada sei”; 
  • Admitia a própria ignorância sobre determinados assuntos para, então, adquirir um conhecimento verdadeiro; 
  • Foi condenado à morte, acusado de corromper a juventude ateniense através de seus ensinamentos; 
  • E foi, também, acusado de ateísmo e de zombar da quantidade e da personificação dos deuses (antropomorfismo dos deuses).

quarta-feira, 24 de junho de 2015

SOFISTAS

OS SOFISTAS


Quem eram? O que faziam?

A palavra sofista, em grego, significa sábio. Portanto, os sofistas eram grandes sábios de sua época;

Acreditavam que era impossível conhecer a verdade sobre as coisas e o mundo;

Por isso, podemos dizer que eram rivais de Sócrates;

Cobravam muito caro para ensinar o discurso (ou oratória) e a retórica (a arte de se comunicar de forma eficaz e persuasiva); 

Tinham a habilidade de transformar um argumento fraco em forte; 

Por tudo isso, podem ser considerados os primeiros advogados do mundo.

PROTÁGORAS

Um dos mais importantes e influentes sofistas, ele dizia que:

“O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, e das coisas que não são, enquanto não são”.

O que ele quis dizer com isso?

Que a verdade é relativa, ou seja, vai depender do ponto de vista de cada um. O que é correto para uma pessoa, por exemplo, pode não ser para outra.


GÓRGIAS (487-380 A.C.)



Sofista que acreditava que a persuasão era essencial aos homens. Dizia que:

“Nada existe que possa ser conhecido; se pudesse ser conhecido não poderia ser comunicado, se pudesse ser comunicado não poderia ser compreendido”.

Portanto, o homem não pode conhecer verdadeiramente nada.


LEMBRETE: SÓCRATES, PLATÃO ARISTÓTELES NÃO SÃO SOFISTAS; SÃO 
SOCRÁTICOS, MUITAS PESSOAS CONFUNDEM.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

                  Pré-socráticos - Questões de Vestibulares - Gabarito

1. (Uncisal 2012) O período pré-socrático é o ponto inicial das
reflexões filosóficas. Suas discussões se prendem a Cosmologia,
sendo a determinação da physis (princípio eterno e imutável que se
encontra na origem da natureza e de suas transformações) ponto
crucial de toda formulação filosófica. Em tal contexto, Leucipo e
Demócrito afirmam ser a realidade percebida pelos sentidos ilusória.
Eles defendem que os sentidos apenas capturam uma realidade
superficial, mutável e transitória que acreditamos ser verdadeira.
Mesmo que os sentidos apreendam “as mutações das coisas, no
fundo, os elementos primordiais que constituem essa realidade jamais
se alteram.” Assim, a realidade é uma coisa e o real outra.
Para Leucipo e Demócrito a physis é composta
a) pelas quatro raízes: o úmido, o seco, o quente e o frio.
b) pela água.
c) pelo fogo.
d) pelo ilimitado.
e) pelos átomos.
2. (Ufsj 2012) Sobre o princípio básico da filosofia pré-socrática, é
CORRETO afirmar que
a) Tales de Mileto, ao buscar um princípio unificador de todos os
seres, concluiu que a água era a substância primordial, a origem única
de todas as coisas.
b) Anaximandro, após observar sistematicamente o mundo natural, propôs que
não apenas a água poderia ser considerada arché desse mundo em si e, por
isso mesmo, incluiu mais um elemento: o fogo.
c) Anaxímenes fez a união entre os pensamentos que o antecederam e
concluiu que o princípio de todas as coisas não pode ser afirmado, já que tal
princípio não está ao alcance dos sentidos.
d) Heráclito de Éfeso afirmou o movimento e negou terminantemente a luta
dos contrários como gênese e unidade do mundo, como o quis Catão, o antigo.
3. (Unioeste 2012) O que há em comum entre Tales, Anaximandro e
Anaxímenes de Mileto, entre Xenófanes de Colofão e Pitágoras de
Samos? “Todos esses pensadores propõem uma explicação racional do
mundo, e isso é uma reviravolta decisiva na história do pensamento”
(Pierre Hadot).
Com base no texto e nos conhecimentos sobre as relações entre mito
e filosofia, seguem as seguintes proposições:
I. Os filósofos pré-socráticos são conhecidos como filósofos da physis porque as
explicações racionais do mundo por eles produzidas apresentam não apenas o
início, o princípio, mas também o desenvolvimento e o resultado do processo
pelo qual uma coisa se constitui.
II. Os filósofos pré-socráticos não foram os primeiros a tratarem da origem e do
desenvolvimento do universo, antes deles já existiam cosmogonias, mas estas
eram de tipo mítico, descreviam a história do mundo como uma luta entre
entidades personificadas.
III. As explicações racionais do mundo elaboradas pelos pré-socráticos seguem
o mesmo esquema ternário que estruturava as cosmogonias míticas na medida
em que também propõem uma teoria da origem do mundo, do homem e da
cidade.
IV. O nascimento das explicações racionais do mundo são também o
surgimento de uma nova ordem do pensamento, complementar ao mito; em
certos momentos decisivos da história da filosofia as duas ordens de
pensamento chegam a coexistir, exemplo disso pode ser encontrado no diálogo
platônico Timeu quando, na apresentação do “mito mais verossímil”, a figura
mítica do Demiurgo é introduzida para explicar a produção do mundo.
V. Tales de Mileto, um dos Sete Sábios, além de matemático e físico é
considerado filósofo – o fundador da filosofia, segundo Aristóteles – porque em
sua proposição “A água é a origem e a matriz de todas as coisas” está contida
a proposição “Tudo é um”, ou seja, a representação de unidade.
Assinale a alternativa correta.
a) As proposições III e IV estão incorretas.
b) Somente as proposições I e II estão corretas.
c) Apenas a proposição IV está incorreta.
d) Todas as proposições estão incorretas.
e) Todas as proposições estão corretas.
4. (Ueap 2011) ...que é e que não é possível que não seja,/ é a vereda
da Persuasão (porque acompanha a Verdade); o outro diz que não é e
que é preciso que não seja,/ eu te digo que esta é uma vereda em que
nada se pode aprender. De fato, não poderias conhecer o que não é,
porque tal não é fatível./ nem poderia expressá-lo.
(Nicola, Ubaldo. Antologia ilustrada de Filosofia. Editora Globo, 2005.)
O texto anterior expressa o pensamento de qual filósofo?
a) Aristóteles, que estabelecia a distinção entre o mundo sensível e o
inteligível.
b) Heráclito de Éfeso, que afirmava a unidade entre pensamento e realidade.
c) Tales de Mileto, que afirmava ser a água o princípio de todas as coisas.
d) Parmênides de Eleia, que afirmava a imutabilidade de todas as
coisas e a unidade entre ser e pensar, ser e conhecimento.
e) Protágoras, que afirmava que o homem é a medida de todas as coisas, que o
ser é e o não ser não é.
5. (Uenp 2011) Mario Quintana, no poema “As coisas”, traduziu o
sentimento comum dos primeiros filósofos da seguinte maneira: “O
encanto sobrenatural que há nas coisas da Natureza! [...] se nelas
algo te dá encanto ou medo, não me digas que seja feia ou má, é,
acaso, singular”. Os primeiros filósofos da antiguidade clássica grega
se preocupavam com:
a) Cosmologia, estudando a origem do Cosmos, contrapondo a
tradição mitológica das narrativas cosmogônicas e teogônicas.
b) Política, discutindo as formas de organização da polis e estabelecendo as
regras da democracia.
c) Ética, desenvolvendo uma filosofia dos valores e da vida virtuosa.
d) Epistemologia, procurando estabelecer as origens e limites do conhecimento
verdadeiro.
e) Ontologia, construindo uma teoria do ser e do substrato da realidade.
6. (Ufpe 2011) As reflexões sobre o mundo e as relações sociais fazem
parte da construção da Filosofia, desde os seus primórdios. Na Grécia,
o pensamento filosófico foi muito importante para a organização da
sua sociedade e o estabelecimento de uma visão crítica de suas
manifestações culturais. Uma das figuras marcantes da Filosofia
Grega foi Parmênides, que:
a) defendia a concepção de um universo composto pelos quatro elementos
fundamentais da natureza (a água, o fogo, a terra, o ar) em constantes
movimentos circulares.
b) seguiu as teorias de Heráclito sobre a permanência do sagrado e dos mitos,
como princípios básicos da realização religiosa da sociedade, em todos os
tempos.
c) se posicionou contra as teorias políticas dos mais democratas, pois achava a
escravidão necessária para se explorar as riquezas e facilitar a organização da
economia.
d) influenciou em muito o pensamento idealista da filosofia ocidental,
dando destaque à ideia de permanência e considerando o movimento
como uma ilusão dos sentidos.
e) estabeleceu orientações fundamentais para o pensamento de Aristóteles, de
quem foi mestre, articulando as bases de uma lógica dualista com a concepção
de governo monárquico vitalício.
7. (Ueg 2011) No século V a.C., Atenas vivia o auge de sua
democracia. Nesse mesmo período, os teatros estavam lotados, afinal,
as tragédias chamavam cada vez mais a atenção. Outro aspecto
importante da civilização grega da época eram os discursos proferidos
na ágora. Para obter a aprovação da maioria, esses pronunciamentos
deveriam conter argumentos sólidos e persuasivos. Nesse caso,
alguns cidadãos procuravam aperfeiçoar sua habilidade de discursar.
Isso favoreceu o surgimento de um grupo de filósofos que dominavam
a arte da oratória. Esses filósofos vinham de diferentes cidades e
ensinavam sua arte em troca de pagamento. Eles foram duramente
criticados por Sócrates e são conhecidos como
a) maniqueistas.
b) hedonistas.
c) epicuristas.
d) sofistas.
8. (Ufsj 2010) Na busca do conhecimento, os filósofos da segunda
metade do século VI a.C. identificaram um “princípio unificador da
natureza”. Marque a alternativa que CORRETAMENTE explicita tal
afirmação.
a) Para Aristóteles “o primeiro motor”; para Heráclito “o logos”; para
Anaxágoras “o nous”.
b) Para Parmênides “o ser”; para Heráclito “o Iogos”; para
Anaxágoras “o nous”.
c) Para Parmênides “o ser”; para Anaxágoras “o Iogos”; para Platão “o mundo
das ideias”, para Aristóteles “o primeiro motor”.
d) Para Parmênides “o ser”; para Anaxágoras “o Iogos”; para Platão “o
demiurgo”, para Aristóteles “a phisis”.
9. (Uff 2010) Como uma onda
Nada do que foi será/ De novo do jeito que já foi um dia/ Tudo passa/ Tudo
sempre passará
A vida vem em ondas/ Como um mar/ Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é/ Igual ao que a gente/ Viu há um segundo/ Tudo muda o
tempo todo/ No mundo
Não adianta fugir/ Nem mentir/ Pra si mesmo agora/ Há tanta vida lá fora/ Aqui
dentro sempre/ Como uma onda no mar/ Como uma onda no mar/ Como uma
onda no mar/ Lulu Santos e Nelson Motta
A letra dessa canção de Lulu Santos lembra ideias do filósofo grego
Heráclito, que viveu no século VI a.C. e que usava uma linguagem
poética para exprimir seu pensamento. Ele é o autor de uma frase
famosa: “Não se entra duas vezes no mesmo rio”.
Dentre as sentenças de Heráclito a seguir citadas, marque aquela em
que o sentido da canção de Lulu Santos mais se aproxima
a) Morte é tudo que vemos despertos, e tudo que vemos dormindo é sono.
b) O homem tolo gosta de se empolgar a cada palavra.
c) Ao se entrar num mesmo rio, as águas que fluem são outras.
d) Muita instrução não ensina a ter inteligência.
e) O povo deve lutar pela lei como defende as muralhas da sua cidade.
10. (Unicentro 2010) Leia o fragmento de um texto pré-socrático:
“Ainda outra coisa te direi. Não há nascimento para nenhuma
das coisas mortais, como não há fim na morte funesta, mas
somente composição e dissociação dos elementos compostos:
nascimento não é mais do que um nome usado pelos
homens”.
(EMPÉDOCLES. Apud ARANHA/ MARTINS. Filosofando: Introdução à
Filosofia. 3ª Ed., São Paulo: Moderna, 2006 - p. 86.).
A respeito da relação entre mythos e logos (razão) no início da
filosofia grega, analise as assertivas e assinale a alternativa que
aponta as corretas.
I. O fragmento acima denota a “luta de forças” opostas na massa dos membros
humanos, que ora unem-se pelo amor – no início todos os membros que
atingiram a corporeidade da vida florescente –, ora divididos pela força da
discórdia, erram separados nas linhas da vida. Assim ocorre também com
todos os outros seres na natureza.
II. A verdade filosófica apresenta-se no pensamento de Empédocles através de
uma estrutura lógica muito distante da “verdade” expressa nos relatos míticos
dos gregos arcaicos.
III. Nascimento e morte, no texto de Empédocles, são apresentados por meio
de representações míticas que o filósofo retira de uma tradição religiosa
presente ainda em seu tempo. Essas imagens, consequentemente, se
transpõem, sem deixarem de ser místicas, em uma filosofia que quer captar a
verdadeira essência da realidade física.
IV. O fragmento denota continuidade do pensamento mítico no início da
filosofia, pois estão presentes ainda o uso de certas estruturas comuns de
explicação.
a) Apenas II, III e IV estão corretas.
b) Apenas I, III e IV estão corretas.
c) Apenas I e II estão corretas.
d) Apenas I e IV estão corretas.
e) Apenas I, II e IV estão corretas.

terça-feira, 2 de junho de 2015

     FILOSOFOS PRÉ-SOCRATICOS
Ou filósofos da Natureza, são aqueles que antecederam Sócrates, filósofos que aperfeiçoou a arte de pensar.
OS PRIMEIROS FILOSOFOS GREGOS
 De acordo com a tradição histórica, a fase inaugural da filosofia grega é conhecida como período pré-socrático, isto é anterior a Sócrates ou á sua filosofia. Assim, esse período abrange o conjunto das reflexões filosóficas desenvolvidas desde Tales de Mileto, no século VII a.c ate o século V a.c.

Tales de Mileto (624-548 a.C.) “Água”
Tales de Mileto, fenício de origem, é considerado o fundador da escola jônica. É o mais antigo filósofo grego. Tales não deixou nada escrito, mas sabemos que ele ensinava ser a água a substância única de todas as coisas. A terra era concebida como um disco boiando sobre a água, no oceano.
Cultivou também as matemáticas e a astronomia, predizendo, pela primeira vez, entre os gregos, os eclipses do sol e da lua. No plano da astronomia, fez estudos sobre solstícios a fim de elaborar um calendário, e examinou o movimento dos astros para orientar a navegação.
Provavelmente nada escreveu. Por isso, do seu pensamento só restam interpretações formuladas por outros filósofos que lhe atribuíram uma idéia básica: a de que tudo se origina da água. Segundo Tales, a água, ao se resfriar, torna-se densa e dá origem à terra; ao se aquecer transforma-se em vapor e ar, que retornam como chuva quando novamente esfriados. Desse ciclo de seu movimento (vapor, chuva, rio, mar, terra) nascem as diversas formas de vida, vegetal e animal. A cosmologia de Tales pode ser resumida nas seguintes proposições: A terra flutua sobre a água; A água é a causa material de todas as coisas. Todas as coisas estão cheias de deuses. O imã possui vida, pois atrai o ferro.

 Anaximandro de Mileto (611-547 a.C.) “Ápeiron”

Anaximandro de Mileto, geógrafo, matemático, astrônomo e político, discípulo e sucessor de Tales e autor de um tratado Da Natureza, põe como princípio universal uma substância indefinida, o ápeiron (ilimitado), isto é, quantitativamente infinita e qualitativamente indeterminada.
Deste ápeiron (ilimitado) primitivo, dotado de vida e imortalidade, por um processo de separação ou “segregação” derivam os diferentes corpos. Supõe também a geração espontânea dos seres vivos e a transformação dos peixes em homens. Anaximandro imagina a terra como um disco suspenso no ar. Eterno, o ápeiron está em constante movimento, e disto resulta uma série de pares opostos – água e fogo, frio e calor, etc. – que constituem o mundo.
O ápeiron é assim algo abstrato, que não se fixa diretamente em nenhum elemento palpável da natureza. Com essa concepção, Anaximandro prossegue na mesma via de Tales, porém dando um passo a mais na direção da independência do “princípio” em relação às coisas particulares. Para ele, o princípio da “physis” (natureza) é o ápeiron (ilimitado).
Atribui-se a Anaximandro a confecção de um mapa do mundo habitado, a introdução na Grécia do uso do gnômon (relógio de sol) e a medição das distâncias entre as estrelas e o cálculo de sua magnitude (é o iniciador da astronomia grega). Ampliando a visão de Tales, foi o primeiro a formular o conceito de uma lei universal presidindo o processo cósmico total. Diz-se também, que preveniu o povo de Esparta de um terremoto. Anaximandro julga que o elemento primordial seria o indeterminado (ápeiron), infinito e em movimento perpétuo.

 Anaxímenes de Mileto (588-524 a.C.) “Ar”
Segundo Anaxímenes, a arkhé (comando) que comanda o mundo é o ar, um elemento não tão abstrato como o ápeiron, nem palpável demais como a água. Tudo provém do ar, através de seus movimentos: o ar é respiração e é vida; o fogo é o ar rarefeito; a água, a terra, a pedra são formas cada vez mais condensadas do ar. As diversas coisas que existem, mesmo apresentando qualidades diferentes entre si, reduzem-se a variações quantitativas (mais raro, mais denso) desse único elemento.
Atribuindo vida à matéria e identificando a divindade com o elemento primitivo gerador dos seres, os antigos jônios professavam o hilozoísmo e o panteísmo naturalista. Dedicou-se especialmente à meteorologia. Foi o primeiro a afirmar que a Lua recebe sua luz do Sol. Anaxímenes julga que o elemento primordial das coisas é o ar.

Heráclito de Éfeso
Heráclito nasceu em Éfeso, cidade da Jônia, de família que ainda conservava prerrogativas reais (descendentes do fundador da cidade). Seu caráter altivo, misantrópico e melancólico ficou proverbial em toda a Antigüidade. Desprezava a plebe. Recusou-se sempre a intervir na política. Manifestou desprezo pelos antigos poetas, contra os filósofos de seu tempo e até contra a religião.
Sem ter sido mestre, Heráclito escreveu um livro Sobre a Natureza, em prosa, no dialeto jônico, mas de forma tão concisa que recebeu o cognome de Skoteinós, o Obscuro. Floresceu em 504-500 a.C. – Heráclito é por muitos considerados o mais eminente pensador pré-socrático, por formular com vigor o problema da unidade permanente do ser diante da pluralidade e mutabilidade das coisas particulares e transitórias.
Estabeleceu a existência de uma lei universal e fixa (o Lógos), regedora de todos os acontecimentos particulares e fundamento da harmonia universal, harmonia feita de tensões, “como a do arco e da lira”.
Suas filosofias eram:
A. Dialética exterior, um raciocinar de cá para lá e não a alma da coisa dissolvendo-se a si mesma;
B. Dialética imanente do objeto, situando-se, porém, na contemplação do sujeito;
C. Objetividade de Heráclito, isto é, compreender a própria dialética como princípio.
Pitágoras de Samos
Pitágoras, o fundador da escola pitagórica, nasceu em Samos pelos anos 571-70 a.C. Em 532-31 foi para a Itália, na Magna Grécia, e fundou em Crotona, colônia grega, uma associação científico-ético-política, que foi o centro de irradiação da escola e encontrou partidários entre os gregos da Itália meridional e da Sicília.
Pitágoras aspirava – e também conseguiu – a fazer com que a educação ética da escola se ampliasse e se tornasse reforma política; isto, porém, levantou oposições contra ele e foi constrangido a deixar Crotona, mudando-se para Metaponto, aí morrendo provavelmente em 497-96 a.C.
Segundo o pitagorismo, a essência, o princípio essencial de que são compostas todas as coisas, é o número, ou seja, as relações matemáticas. Os pitagóricos, não distinguindo ainda bem forma, lei e matéria, substância das coisas, consideraram o número como sendo a união de um e outro elemento. Da racional concepção de que tudo é regulado segundo relações numéricas, passa-se à visão fantástica de que o número seja a essência das coisas. A doutrina e a vida de Pitágoras, desde os tempos da antiguidade, jaz envolta num véu de mistério.
A força mística do grande filósofo e reformador religioso, há 2.600 anos vem, poderosamente, influindo no pensamento Ocidental. Dentre as religiões de mistérios, de caráter iniciático, a doutrina pitagórica foi a que mais se difundiu na antiguidade.
Não consideramos apenas lenda o que se escreveu sobre essa vida maravilhosa, porque há, nessas descrições, sem dúvida, muito de histórico do que é fruto da imaginação e da cooperação ficcional dos que se dedicaram a descrever a vida do famoso filósofo de Samos.
O fato de negar-se, peremptoriamente, a historicidade de Pitágoras (como alguns o fazem), por não se ter às mãos documentação bastante, não impede que seja o pitagorismo uma realidade empolgante na história da filosofia, cuja influência atravessa os séculos até nossos dias.

Zenão de Eléia
Zenão floresceu cerca de 464/461 a.C. Nasceu em Eléia (Itália). Ao contrário de Heráclito, interveio na política, dando leis à sua pátria. Tendo conspirado contra a tirania e o tirano (Nearco?), acabou preso, torturado e, por não revelar o nome dos comparsas, perdeu a vida.

Escreveu várias obras em prosa: Discussões, Contra os Físicos, Sobre a Natureza, Explicação Crítica de Empédocles. – Considerado criador da dialética (entendida como argumentação combativa ou erística), Zenão erigiu-se em defensor de seu mestre, Parmênides, contra as críticas dos adversários, principalmente os pitagóricos. Defendeu o ser uno, contínuo e indivisível de Parmênides contra o ser múltiplo, descontínuo e divisível dos pitagóricos.
A característica de Zenão é a dialética. Ele é o mestre da Escola Eleática; nela seu puro pensamento torna-se o movimento do conceito em si mesmo, a alma pura da ciência – é o iniciador da dialética.

Demócrito de Abdera
De sua vida sabemos poucas coisas seguras, mas muitas lendas. Viagens extraordinárias, a ruína material, as honras que recebeu de seus concidadãos, sua solidão, seu grande poder de trabalho. Uma tradição tardia afirma que ele ria de tudo…
Demócrito e Leucipo partem do eleatismo. Mas o ponto de partida de Demócrito é acreditar na realidade do movimento porque o pensamento é um movimento. Esse é seu ponto de ataque: o movimento existe porque eu penso e o pensamento tem realidade. Mas se há movimento deve haver um espaço vazio, o que equivale a dizer que o não-ser é tão real quanto o ser. Se o espaço é absolutamente pleno, não pode haver movimento.
  
                                        

MITOLOGIA GREGA
Os gregos cultuavam uma serie de deuses (Zeus, Hera, Ares, Atena, Ades etc.), além de heróis ou semideuses (Teseu, Hercules, Perseu etc.). Relatando a vida desses deuses e heróis e seu envolvimento com os humanos, criaram uma rica mitologia, isto é, um conjunto de lendas e crenças que, de modo simbólico, fornecem explicações para a realidade universal.


O MITO DE ÉDIPO


Édipo (do grego Oeidipous – “pés inchados”) nasceu em Tebas e era descendente de seu mítico fundador, Cadmos. Seu avô foi Labdacos (o “coxo”) e seu pai foi Laio (o “canhoto”).

Laio casou-se com Jocasta e teriam sido felizes como reis de Tebas se não fosse um problema: não conseguiam ter filhos. Por essa razão, muito religiosos, foram consultar o Oráculo de Delfos.

No templo, a pitonisa délfica revelou que teriam um filho dentro de pouco tempo, mas que ele estava destinado a matar o pai e casar-se com a mãe.

Eles se alegraram pelo filho. Quando ele nasceu, Laio lembrou-se do oráculo e mandou os servos matarem o bebê.

Levaram-no para uma a floresta, furaram-lhe os pés e o amarraram de ponta cabeça em uma árvore para ser devorado pelos animais selvagens.

Passaram por ali uns pastores de Corinto e o levaram. Deram-no aos reis de Corinto, que também sofriam por não ter um filho. O rei e a rainha adotaram-no como se fosse seu, e lhe deram o nome de Édipo. Quando cresceu, Édipo começou a sentir-se diferente dos seus concidadãos e foi consultar o Oráculo de Delfos. Aí soube que estava destinado a matar o próprio pai e a casar-se com a mãe. Horrorizado, decidiu não voltar a Corinto, Pegou o carro e foi para bem longe.

Em uma estrada estreita, nas montanhas, encontrou um carro maior na direção contrária. Tentou desviar-se mas os carros acabaram chocando-se de raspão. O cocheiro do outro carro xingou Édipo que, revoltado, o matou. Então o patrão do cocheiro avançou sobre Édipo, que o matou também. E continuou a viagem.

Chegou a Tebas e encontrou a cidade consternada por dois problemas: o rei tinha morrido e um monstro, a Esfinge, estabelecera-se na porta da cidade propondo um enigma. Como ninguém sabia responder, a Esfinge ia matando um por um. Jocasta tinha oferecido sua mão a quem livrasse a cidade desse monstro.

Édipo foi enfrentar a Esfinge. Era um ser estranho, com corpo de leão, patas de boi, asas de águia e rosto humano. Seu enigma: O que é que tem quatro pés de manhã, dois ao meio dia e três à tarde?

Édipo respondeu que era o homem, porque engatinha quando criança, passa a vida andando sobre dois pés mas,velho, tem que recorrer a uma bengala. A Esfinge matou-se e Édipo, casando-se com Jocasta, tornou-se o rei de Tebas.

Tiveram quatro filhos. Os gêmeos Eteócles e Poliníces, Antígona e Ismênia. Foram felizes durante muitos anos. Mas, depois, uma peste assolou a cidade.

Édipo quis ir consultar Delfos, mas foi aconselhado a chamar Tirésias, um velhinho cego e sábio que vivia em Tebas. Este revelou que a causa era o assassino de Laio, que continuava na cidade. Édipo prometeu prendê-lo e matá-lo, mas o sábio revelou que ele mesmo era o assassino, porque Laio era o dono do carro que ele enfrentara. Jocasta, envergonhada, suicidou-se. Édipo furou os próprios olhos e renunciou ao trono. Cego, precisou ser guiado por Antígona para ir a Delfos. Aí soube que devia ir a um bosque sagrado, em Colonos, perto de Atenas. Ajudado por Teseu, rei de Atenas, chegou lá. Encontrou um lago, onde tomou banho, e uma caverna, onde penetrou depois de mudar de roupa. Entrou na eternidade.